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Aku no Hana

Em uma cidade do interior, um garoto passa seus dias envolto de adoração por um livro intitulado de “As Flores do Mal”, livro que contém poemas sobre a perversão humana e mulheres são inalcançáveis; nessa mesma cidade uma garota de óculos e cabelo ruivo é uma pervertida em busca de um ser semelhante, alguém que seja capaz de entender seus pensamentos e sentimentos; entre eles existe outra garota que longos cabelos negros, pura, divina, o alvo de adoração do nosso garoto no começo desse parágrafo… O que eles têm em comum? Perversão. Um bando de malditos pervertidos.

O protagonista dessa história é o garoto mencionado acima, Kasuga, sempre zombando dos outros por eles “serem seres inferiores que jamais vão compreender Baudelaire (As Flores do Mal)”, arrogante e em seu próprio mundo Kasuga vive com uma secreta adoração pela sua Vênus, Saeki, o objeto inalcançável que ele tanto preserva; contudo até mesmo na adoração o sentimento fala mais alto e na primeira ocasião… ele rouba as roupas de educação física de sua musa. O primeiro pecado. A primeira mancha em seu altar de adoração. Alguém tinha observado a cena, testemunhado dela, a jovem conhecida como Nakamura. Pronto, a história começa e a ladeira que o Kasuga vai descer é bem íngreme. Sem qualquer salvação.
Kasuga-kun e sua musa, Saeki-san 
“Aku no Hana” recebe o mesmo nome da obra na qual ele se inspirou, o livro “As Flores do Mal” do famoso poeta Baudelaire, ambas obras abordam a mesma coisa: a perversão humana, a musa inalcançável que foi tão célebre durante a época literária do “Romantismo”; Kasuga não se importa com os outros, com um senso de superioridade acreditando que todos ao seu redor são acéfalos, mas alguém vai destruir essa ideia pedaço por pedaço, vai derrubar cada uma de suas paredes, a incrível Nakamura, a verdadeira estrela do show.
A relação Kasuga-Nakamura é estranha, diferente de qualquer outra vista antes, Kasuga é medroso se recusando a sair de sua zona de conforto quanto a Nakamura quer que ele destrua tudo, seja um pervertido completo, ela quer a destruição total do garoto; ela o força a aceitar seus desejos, chegando ao ponto de envolver a garota que o Kasuga ama para realizar o seu sonho: um pervertido ao seu lado, alguém que deseje fugir daquela cidade maldita tanto quanto ela. Um desejo perigoso que vai destruir todos em seu caminho.
Uma obra tão diferente não poderia receber qualquer adaptação, ela precisa ser inovadora e contraditória. Rotoscopia. Rotoscopia é a palavra que casou arrepios nos fãs do traço “moe” dos animes no geral, o que temos aqui é a expressão real dos protagonistas expressas por rostos “reais”, baseados em atores de verdade que gravaram aquelas cenas antes que o processo de rostocopia fosse executado e tivéssemos a obra em questão; uma experiência visual diferente para uma história que merece.
Essa obra, essas flores do mal em pleno florescer são encantadoras, cada trejeito, cada negação dos personagens, cada loucura extremista faz dela única. Talvez tenhamos uma continuação… Quem sabe? Recomendo igualmente a leitura do mangá.
 
Preso à minha classe e a algumas roupas,
vou de branco pela rua cinzenta.
Melancolias, mercadorias espreitam-me.
Devo seguir até o enjôo?
Posso, sem armas, revoltar-me?



Olhos sujos no relógio da torre:
Não, o tempo não chegou de completa justiça.
O tempo é ainda de fezes, maus poemas, alucinações e espera.
O tempo pobre, o poeta pobre
fundem-se no mesmo impasse.



Em vão me tento explicar, os muros são surdos.
Sob a pele das palavras há cifras e códigos.
O sol consola os doentes e não os renova.
As coisas. Que tristes são as coisas, consideradas sem ênfase.



Vomitar esse tédio sobre a cidade.
Quarenta anos e nenhum problema
resolvido, sequer colocado.
Nenhuma carta escrita nem recebida.
Todos os homens voltam para casa.
Estão menos livres mas levam jornais
e soletram o mundo, sabendo que o perdem.



Crimes da terra, como perdoá-los?
Tomei parte em muitos, outros escondi.
Alguns achei belos, foram publicados.
Crimes suaves, que ajudam a viver.
Ração diária de erra, distribuída em casa.
Os ferozes padeiros do mal.
Os ferozes leiteiros do mal.



Pôr fogo em tudo, inclusive em mim.
Ao menino de l9l8 chamavam anarquista.
Porém meu ódio é o melhor de mim.
Com ele me salvo
e dou a poucos uma esperança mínima.



Uma flor nasceu na rua!
Passem de longe, bondes, ônibus, rio de aço do tráfego.
Uma flor ainda desbotada
ilude a polícia, rompe o asfalto.
Façam completo silêncio, paralisem os negócios,
garanto que uma flor nasceu.



Sua cor não se percebe.
Suas pétalas não se abrem.
Seu nome não está nos livros.
É feia. Mas é realmente uma flor.



Sento-me no chão da capital do país às cinco horas da tarde
e lentamente passo a mão nessa forma insegura.
Do lado das montanhas, nuvens maciças avolumam-se.
Pequenos pontos brancos movem-se no mar, galinhas em pânico.
É feia. Mas é uma flor. Furou o asfalto, o tédio, o nojo e o ódio.


(A Flor e a Náusea – Carlos Drummond de Andrade)


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INDEX DE EPISÓDIOS:





Episódio 01 – [HD - 10b] [FF] [MU]

 

Episódio 02 - [HD - 10b] [FF] [MU]

 

Episódio 03 - [HD - 10b] [FF] [MU]

 

Episódio 04 - [HD - 10b] [FF] [MU]

 

Episódio 05 - [HD - 10b] [FF] [MU]

 

Episódio 06 - [HD - 10b] [FF] [MU]

 

Episódio 07 - [HD - 10b] [FF] [MU]

 

Episódio 08 - [HD - 10b] [FF] [MU]

 

Episódio 09 - [HD - 10b] [FF] [UB]

 

Episódio 10 - [HD - 10b] [FF] [MU]

 

Episódio 11 - [HD - 10b] [FF] [MU]

 

Episódio 12 – [HD - 10b] [FF] [MU]

 

Episódio 13 [Final]- [HD - 10b] [FF] [UB]

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